domingo, 27 de março de 2011

- prefácio, luz e escuridão.

"Nunca reflectira longamente sobre a forma como morreria - ainda que, ao longo dos meses anteriores, tivesse tido motivos de sobra para tal -mas, mesmo que o tivesse feito, jamais teria imaginado que seria assim.
Olhei fixamente para o lado oposto da longa sala, sem respirar, fitando os olhos negros do caçador, e este lançou-me também um olhar amável.
Era decerto uma boa maneira de morrer: morrer no lugar de alguém, de alguém que eu amava. Chegava mesmo a ser nobre. Esse facto deveria ter alguma importância.
Eu sabia que, se nunca tivesse ido, não estaria, naquele momento, a enfrentar a morte, mas, apavorada como estava, não conseguia sentir-me arrependida de tal decisão. Quando a vida nos oferece um sonho que ultrapassa largamente todas as nossas expectativas, não é razoável sentir pesar quando o mesmo chega ao fim. Ele sorria de um modo amistoso à medida que avançava vagarosamente para me matar."

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